Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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Trecho 1 - As Brumas de Avalon - A Senhora da Magia
Viviane fez a menina sentar-se ao seu lado.
- Vim porque tive um aviso. Ainda não indaguei de onde vem o perigo, não houve tempo. Você ainda tem a Visão, Morgana? Da última vez que estivemos juntas, disse-me...
A menina corou e olhou para baixo:
- A senhora me recomendou que nada comentasse a esse respeito. E Igraine acha que devo afastar meus pensamentos disso, voltando-os para coisas reais e não para devaneios, por isso
tentei...
- Igraine tem razão quanto a uma coisa: você não deve falar disso com os que só nascem uma vez - observou Viviane. - Mas comigo pode sempre falar livremente, prometo-lhe. Minha Visão só pode me mostrar coisas ligadas à segurança da Ilha Sagrada e à continuação de Avalon, mas o filho de Uther é filho de sua mãe, e através desse laço a Visão o encontrará e poderá dizer quem está tentando provocar sua morte. Uther tem muitos inimigos, como os Deuses sabem.
- Mas não sei como usar a Visão.
- Eu lhe mostrarei, se você quiser - ofereceu-se Viviane.

A menina olhou para ela, com o rosto marcado pelo medo:
- Uther proibiu feitiçarias em sua corte.
- Uther não é meu senhor - disse Viviane lentamente -, e ninguém pode mandar na consciência dos outros. Não obstante... Você acredita que é uma ofensa a Deus tentar descobrir se alguém está tramando contra a vida de seu irmão, ou se é apenas falta de sorte?
Morgana respondeu, sem muita firmeza:
- Não, não acredito que seja errado. - Parou, engoliu em seco e, finalmente, acrescentou: - E não creio que você me levaria a fazer alguma coisa errada, titia.
Viviane sentiu uma súbita pontada no coração. O que fizera para merecer toda essa confiança? Desejava sinceramente que essa menina pequena e séria fosse sua filha, a filha que devia à Ilha Sagrada e nunca fora capaz de ter. Embora tivesse corrido o risco de um parto tardio, do qual quase morrera, tivera apenas filhos. E ali estava, ao que tudo indicava, a sucessora que a Deusa lhe havia mandado, uma parenta com a Visão, e a garota votava-lhe confiança total. Por um momento, não conseguiu falar.
"Serei capaz de ser dura com esta menina também? Poderei prepará-la, sem poupá-la, ou meu amor me fará menos rigorosa do que devo ser para formar uma grã-sacerdotisa? Poderei usar o amor que ela tem por mim, e que nada fiz para merecer, para levá-la aos pés da Deusa?"
Mas, com a disciplina de anos, esperou até que a voz estivesse firme e perfeitamente controlada:

- Que assim seja, então. Traga uma bacia de prata ou bronze, perfeitamente limpa e areada, cheia com água fresca de chuva, e não água tirada do poço. Não fale com ninguém, homem ou mulher, depois de tê-la enchido.
Esperou tranquila junto do fogo, até que por fim Morgana voltou.
- Eu mesma tive de areá-la - disse ela, mas a bacia que mostrou estava brilhando, cheia até a borda com água clara.
- Agora, Morgana, desate o cabelo.
A menina olhou para ela com curiosidade, mas Viviane disse em voz baixa e firme:
- Não, nada de perguntas.
Morgana tirou o grampo de osso, e seus longos cabelos, negros, pesados e perfeitamente lisos, cascatearam em volta de seus ombros.
- Agora, se você traz qualquer jóia, tire-a e coloque-a ali, para que não fique perto da bacia.
Morgana retirou do dedo dois pequenos anéis dourados e desatou o broche que lhe segurava o vestido, que, sem ele, deslizou-lhe pelos ombros. Em silêncio, Viviane ajudou-a a tirá-lo, de modo que a menina ficou apenas com as roupas de baixo. Em seguida, Viviane abriu um pequeno saco que trazia pendurado ao pescoço e dele retirou um pouco de ervas esmagadas, que espalharam um cheiro adocicado e bolorento pelo quarto. Lançou apenas alguns grãos na água da bacia, antes de dizer, em voz baixa e neutra:
- Olhe para a água, Morgana. Fique com a mente completamente parada e diga o que vê.
Morgana ajoelhou-se ante a bacia com água, olhando fixamente para a sua superfície. O quarto estava em silêncio, tão tranquilo que Viviane pôde ouvir o ruído de um inseto, lá fora.

E então Morgana disse, numa voz incerta e estranha:
- Vejo um bote. Está coberto de negro e há quatro mulheres nele... Quatro rainhas, pois usam coroas... e uma delas é você... ou serei eu?
- É a barca de Avalon - esclareceu Viviane, com voz velada. - Sei o que você está vendo.
Passou a mão levemente por cima da água e viu a superfície agitar se.
- Olhe outra vez, Morgana. E diga-me o que vê.
Desta vez, o silêncio foi mais longo. Finalmente, a menina relatou, no mesmo tom estranho:
- Vejo gamos - uma grande manada de gamos e um homem entre eles, com o corpo pintado... colocam-lhe os galhos de gamo... oh, ele é derrubado, vão matá-lo... -Sua voz tremeu, e novamente Viviane passou a mão sobre a superfície da água, que se turvou.
- Basta - ordenou. - Agora, veja seu irmão.
Fez-se silêncio, novamente, um silêncio que se estendeu e se arrastou. Viviane sentiu o corpo doer devido à tensão da imobilidade, mas não se mexeu, graças à longa disciplina de seu treinamento. Por fim,Morgana murmurou:
- Como ele está quieto... mas está respirando, dentro em pouco despertará. Vejo minha mãe... Não, não é ela, é minha tia Morgause, e todos os seus filhos estão com ela... São quatro... Que estranho, todos estão usando coroas... E há um outro, está segurando uma adaga... Por que é tão jovem? É filho dela? Oh, ele vai matá-lo, vai matá-lo... Ah, não! - Sua voz transformou-se quase num grito. Viviane tocou-lhe o ombro.

- Basta. Desperte, Morgana.
A menina sacudiu a cabeça como um cachorrinho que se espreguiça depois do sono:
- Eu vi alguma coisa? - perguntou.
- Algum dia você aprenderá a ver e a lembrar-se do que viu - explicou Viviane, com um aceno de cabeça. - Por ora, foi o bastante.

Trecho 2 - As Brumas de Avalon - A Senhora da Magia

Foi ao quarto de Morgause e apanhou o espelho de prata. Depois, desceu à cozinha e mandou as criadas acenderem a lareira em seu aposento. Elas se espantaram, pois o dia não estava frio, mas Igraine repetiu a ordem como se fosse a coisa mais normal do mundo e recolheu outras coisas na cozinha: sal, um pouco de óleo e um pequeno jarro de vinho - que, sem dúvida, as mulheres julgaram destinar-se à sua refeição do meio-dia -, levando também um pouco de queijo para disfarçar suas intenções, lançando-o mais tarde às gaivotas.

Lá fora, no jardim, encontrou flores de lavanda e algumas bagas de rosas silvestres. Cortou ramos de junípero com sua faquinha, um punhado apenas simbólico e um pedaço de aveleira. Ao voltar ao seu quarto, aferrolhou a porta e despiu-se, ficando nua e trêmula ante o fogo. Nunca fizera isso, e sabia que Viviane não aprovaria, pois quem não conhece as artes da magia pode envolver-se em complicações, ao usá-las. Mas, com as coisas que trouxera, não ignorava que podia conjurar a Visão, ainda que não estivesse preparada para isso.
Lançou o junípero ao fogo e, quando a fumaça subiu, amarrou o ramo de aveleira à testa. Colocou o fruto e as flores ante o fogo, levou o sal e o óleo ao peito, comeu um pedaço do pão, tomou um gole do vinho; em seguida, tremendo, colocou o espelho de prata de modo a refletir a luz do fogo e, tomando a bacia destinada à lavagem dos cabelos, derramou água da chuva, pura, na superfície do espelho, murmurando:
- Pelas coisas comuns e incomuns, pela água e fogo, sal, óleo e vinho, pelo fruto e pelas flores juntos, imploro-vos, Deusa, fazei-me ver minha irmã Viviane.
Lentamente, a superfície da água agitou-se. Igraine tremeu, como se um súbito vento gelado a tivesse açoitado, receando, por um momento, que a magia falhasse e que sua feitiçaria também fosse uma blasfêmia.

Trecho 3 - A Queda de Atlântida - Teia de Luz
— Você é virgem?
Rajasta teve um sobressalto e interveio:
— Micon...
— Há mais aqui do que você imagina! — disse Micon, com uma veemência inesperada. —
Perdoe-me se eu o choco, mas preciso saber. E pode estar certo de que tenho bons motivos.
Diante da veemência insólita do atlante, Rajasta recuou. Deoris, por sua vez, não poderia ficar mais surpresa se todos no aposento se transformassem em estátuas de mármore ou removessem a cabeça para usá-la como bola num jogo.
— Sou, sim — respondeu ela, com inibição e curiosidade mescladas na voz.
— Que os deuses sejam louvados! — Erguendo-se mais um pouco na cama, Micon acrescentou:
— Rajasta, vá até minha arca de viagem. Encontrará lá um saco de seda vermelha e uma tigela de prata.
Encha a tigela com água pura de uma fonte. Não derrame uma gota sequer na terra e trate de voltar antes de o sol tocá-lo.
Rajasta fitou-o muito tenso, por um momento, surpreso e bastante insatisfeito, pois adivinhava a intenção de Micon; mas foi até a arca, pegou a tigela e se retirou, com os lábios contraídos em desaprovação; "por ninguém mais eu faria tal coisa!", ele disse a si mesmo.
Eles aguardaram a volta do Sacerdote da Luz em silêncio quase total. Deoris pressionou-o a princípio para que revelasse suas intenções, mas Micon limitou-se a dizer que ela saberia em breve; se não confiava nele, não tinha condições de fazer como lhe pedia.
Rajasta finalmente voltou, e Micon orientou-o, em voz baixa:
— Coloque-a aqui, nesta mesinha... muito bem. Agora, pegue na arca uma fivela de couro trançado e entregue a Deoris... Deoris, tire-a da mão de Rajasta, mas não toque em seus dedos!
Depois que isso foi feito e que lhe entregaram o saco de seda vermelha, o atlante continuou:
— Agora, Deoris, ajoelhe-se ao meu lado. Rajasta, afaste-se de nós... nem mesmo sua sombra pode tocar em Deoris!
Os dedos mutilados de Micon estavam trêmulos ao desfazer o nó, para abrir o saco de seda
vermelha. Houve uma breve pausa e depois, mantendo as mãos de maneira a que Rajasta não pudesse ver o que continha, ele murmurou:
— Deoris... veja o que tenho nas mãos.
Observando com intensa desaprovação, Rajasta percebeu apenas um clarão momentâneo, mas quase ofuscante, de alguma coisa brilhante e de muitas cores. Deoris permaneceu imóvel, não mais se remexendo irrequieta, com as mãos na fivela de couro... um objeto tosco, obviamente o trabalho de um amador. Gentilmente, Micon acrescentou:
— Olhe para a água, Deoris...
O silêncio no aposento era total. A túnica azul-clara de Deoris foi agitada por uma brisa súbita.
Rajasta continuava a reprimir uma raiva inusitada; detestava e desconfiava daquela magia... tais jogos raramente eram permitidos quando praticados pelos Túnicas Cinzentas, mas era um absurdo que um Sacerdote da Luz se metesse com tais manipulações! Sabia que não tinha o direito de impedir; por mais que amasse Micon, naquele momento, no entanto, se o atlante fosse um homem saudável, Rajasta poderia tê-lo agredido e se retirado com Deoris. Mas o código severo dos guardiães não permitia tal interferência; limitou-se a contrair os ombros e assumir uma expressão intimidativa... que, é claro, não teve qualquer efeito sobre o atlante.
— Deoris — murmurou Micon —, o que você vê? A voz da moça soou infantil, sem qualquer inflexão:
— Vejo um rapaz, moreno e ágil... de pele escura, cabelos escuros, numa túnica vermelha...
descalço... os olhos são cinzentos... não, são amarelos. Está tecendo alguma coisa com as mãos... é a fivela que seguro.
— Muito bem, você tem a Visão, Deoris. Posso reconhecê-la. Agora, largue a fivela e torne a
olhar para a água... onde ele está agora, Deoris?
Houve um silêncio prolongado, durante o qual Rajasta rangeu os dentes e contou devagar, para si mesmo, a passagem dos segundos, mantendo-se calado pela força da vontade.
Deoris permaneceu imóvel, olhando para a tigela com água prateada, surpresa e um pouco assustada. Esperava alguma espécie de vazio mágico, de branco espectral; em vez disso, Micon falava em tom normal e ela... ela estava vendo imagens. Eram como devaneios; seria aquilo que Micon estava querendo? Indecisa, ela hesitou, e Micon disse, com alguma impaciência:
— Diga logo o que vê!
— Vejo um pequeno aposento, com paredes de pedra... uma cela... não, apenas um pequeno
aposento cinzento, com o chão de pedra. Ele está deitado num catre, dormindo...
— Onde ele se encontra? Está acorrentado?
Deoris fez um movimento sobressaltado. As imagens se dissolveram, pareciam escorrer diante de seus olhos. Até que havia apenas a água ondulante na tigela. Micon respirava com dificuldade e teve de fazer um grande esforço para controlar sua impaciência.
— Por favor, Deoris, olhe bem e me diga onde ele está neste momento.
— Ele não está acorrentado. Apenas dorme. E agora... está se virando. Seu rosto... ei! — O grito de Deoris soou meio estrangulado. — O noviço de Riveda! O louco, o apóstata... oh, mande-o embora, mande-o...
Ela parou de falar abruptamente; parecia congelada, seu rosto era uma máscara de horror. Micon desfaleceu na cama, tentando se soerguer outra vez. Rajasta não podia mais se manter alheio à cena. Sua emoção acumulada explodiu subitamente, com violência; adiantou-se, arrancou a tigela das mãos de Deoris e jogou o conteúdo pela janela, depois arremessou a tigela para um canto do aposento, onde caiu com um estridente som musical. Deoris escorregou para o chão, chorando silenciosamente, mas em grandes espasmos convulsivos, que sacudiam todo o seu corpo. Rajasta, inclinando-se para ela, disse bruscamente:
— Pare com isso!
— Calma, Rajasta, calma — murmurou Micon. — Ela vai precisar...
— Sei muito bem do que ela vai precisar!
Rajasta empertigou-se, olhou para Micon e concluiu que a necessidade de Deoris era mais imperativa. Levantou a moça, mas ela pendeu em seu braço. Numa fúria sombria, Rajasta fez sinal para seu escravo e ordenou:
— Vá chamar o Sacerdote Cadamiri imediatamente!
Não demorou mais que uns poucos minutos para que um Sacerdote da Luz, de túnica branca,
magro e ereto, entrasse no aposento, em passos disciplinados; Cadamiri estava se aprontando para a Cerimônia do Amanhecer e por isso chegara tão depressa. Alto e cadavérico, o Sacerdote Cadamiri ainda era jovem, mas o rosto austero era vincado e ascético. Seus olhos firmes absorveram a cena no mesmo instante: a criança desfalecida, a tigela de prata caída no chão, a expressão sombria de Rajasta.
Rajasta falou-lhe tão baixo que nem mesmo os ouvidos aguçados de Micon puderam ouvir:
— Leve Deoris para seus aposentos e cuide dela. Cadamiri alteou uma sobrancelha inquisitiva,
enquanto pegava a moça desmaiada dos braços de Rajasta.
— É permitido perguntar...?
Rajasta olhou para Micon e depois disse, lentamente:
— Sob extrema necessidade, ela foi enviada aos Lugares Fechados. Você saberá como trazê-la de volta.
Cadamiri ergueu nos braços o corpo inerte de Deoris e virou-se para sair, mas Rajasta o deteve.
— Não fale nada sobre isso! Eu aprovei. Acima de tudo... não diga coisa alguma à Sacerdotisa
Domaris! Não lhe diga mentiras, mas também não deixe que ela saiba da verdade. Encaminhe-a a mim, se ela o pressionar.
Cadamiri acenou com a cabeça e retirou-se. Deoris estava aninhada em seus braços como uma
criancinha... mas Rajasta ainda pôde ouvi-lo murmurar:
— Que necessidade pode ser tão grande para se sancionar uma coisa assim?
E, para si mesmo, Rajasta murmurou:
— Eu bem que gostaria de saber!
Virando-se para o corpo debilitado do atlante, ele ficou imóvel por um momento, pensativo. O
desejo de Micon de descobrir o destino do irmão Reio-ta era compreensível, mas submeter Deoris a tamanho risco era inadmissível.
— Sei o que está pensando — disse Micon, cansado. — Pergunta a si mesmo por que, se eu
tinha esse método à minha disposição, não o usei antes... ou em condições mais seguras.
— Pela primeira vez — respondeu Rajasta, em tom ainda brusco, refreando sua raiva —, você
leu errado meus pensamentos. Na verdade, estou me perguntando por que você se envolve com essas coisas.
Micon recostou-se nas almofadas, suspirando.
— Não tenho desculpas, Rajasta. Eu precisava saber. E... seus métodos falharam. Não tenha
medo por Deoris. Eu sei... — Ele balançou a mão, debilmente, quando Rajasta fez menção de falar. — . . . sei que há algum perigo, mas não mais do que ela já enfrentou antes, não mais do que você e Domaris correm... não mais do que o meu filho por nascer, não mais do que qualquer outra pessoa que me cerca. Confie em mim, Rajasta. Sei muito bem o que fiz... melhor do que você, ou não me sentiria assim.
— Confiar em você? Eu confio, caso contrário não teria permitido coisa alguma. Mas não foi
para tal propósito que me tornei seu discípulo. Cumprirei a promessa que lhe fiz... mas deve também fazer um acordo comigo, pois como Guardião não posso mais permitir essa... essa bruxaria! Você tem razão, estamos todos em perigo apenas por mantê-lo entre nós... mas agora você proporcionou a esse perigo um foco mais definido. Descobriu o que queria saber, e por isso o perdoarei. Mas se eu soubesse antes o que tencionava exatamente...

Trecho 4 - A Queda de Atlântida - Teia de Trevas 
 
Lentamente, sílaba a sílaba às vezes, quando muito frase por frase relutante, ela contou a Rajasta o suficiente para condenar Riveda dez vezes. O Sacerdote da Luz manteve-se implacável; não havia outro jeito. Era praticamente um par de olhos gelados e penetrantes e uma voz monótona e inflexível, ordenando:
— Continue. O que... como... quem...
— Fui enviada aos Lugares Fechados... como um conduto de poder... e quando eu não podia mais servir, então Larmin... o filho de Riveda... tomou meu lugar como veículo...
— Espere! — Rajasta levantou-se de um pulo, puxando a moça. — Pelo Sol Central! Está mentindo ou perdeu o juízo! Um menino não pode servir nos Lugares Fechados, apenas uma moça virgem ou uma mulher preparada pelo ritual... um menino não pode, a menos que seja... — Rajasta agora perdera o controle, balbuciando de forma quase incoerente. — Deoris, o que foi feito com Larmin?
Deoris tremia diante dos olhos terríveis de Rajasta, encolhendo-se com o ímpeto de ira violenta e aparentemente incontrolável, a repulsa que distorcia o rosto do Guardião. Ele sacudiu-a, rudemente.
— Responda, criança! Ele castrou o menino?
Deoris não precisava responder. Abruptamente, Rajasta retirou as mãos, como se contaminado por sua presença; quando Deoris arriou, ele a deixou cair pesadamente no chão. Sentia-se fisicamente doente com o conhecimento.

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O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

Quem sou eu

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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